quarta-feira, 22 de abril de 2009

Heaven & Hell: Geezer Butler fala sobre novo álbum

O baixista do HEAVEN AND HELL — a atual encarnação do Black Sabbath —, Geezer Butler (foto), falou com o jornalista Justin Donnelly a respeito do novo álbum do grupo, “The Devil You Know”, cujo lançamento acontece na próxima segunda-feira, 28 de abril. Confira os principais excertos do bate-papo logo abaixo:

O processo de composição e gravação do álbum “The Devil You Know”:

“Contando tudo, levou doze semanas para compormos ‘The Devil You Know’. Começamos para valer a compor o novo álbum em maio passado, ficamos umas seis semanas compondo bastante. Então demos uma parada, saímos em turnê por um mês [N. do T.: na turnê ‘Metal Masters’], e fizemos mais umas seis semanas de composição. Finalizamos a composição do álbum em doze semanas. Acho que tínhamos mais algumas ideias e outras músicas que estávamos trabalhando, mas elas não eram tão poderosas quanto essas dez que estão no álbum, e acho que esse número era o ideal para o álbum. Depois disso, fomos direto para a sala de ensaios, e tocamos tudo ao vivo, pois só assim conheceríamos bem as músicas. Sentimos o baixo, a bateria e todo o material que trabalhamos em cima durante os ensaios. Em seguida, fomos direto para o estúdio, o que nos tirou três semanas, e pouco mais de um mês para o processo de mixagem. Foi um processo bem rápido para nós, porque geralmente leva décadas para finalizarmos um trabalho. Posso dizer que dessa vez estamos muito felizes com a experiência em estúdio”.

O porquê do título do álbum:

“Todos me perguntaram se eu tinha alguma idéia para o título do álbum. E eu tinha alguns títulos, e esse foi o melhor, o que todos gostaram. O significado por trás dele é muito simples: todos nos veem e ainda nos chamam de BLACK SABBATH. Ainda que nos intitulemos HEAVEN AND HELL, porque nós ainda somos o diabo que você conhece, no sentido de que ainda somos o BLACK SABBATH. É essa a história por trás dele.

O significado por trás dos números “25” e “41” no demônio da capa do novo álbum:

“Vi toneladas de explicações em fórums na internet! E algumas delas são bem engraçadas! [risos]. Mas o verdadeiro significado por trás dele é bem simples. Nós sempre tivemos aquele demônio com asas, e a gravadora queria que o usássemos mais uma vez nesse álbum. Então pensamos que ao invés de fazermos a mesma coisa novamente, decidimos lançar mão de algo diferente. Apareci com um verso da Bíblia. É uma parte de Mateus, capítulo 25, versículo 41. O verso começa assim: ‘Então Ele dirá que aqueles à sua esquerda, ‘separem-se de mim, amaldiçoados, no fogo eterno que foi preparado pelo demônio e seus anjos’. O verso fala sobre aqueles que se sentam à esquerda de Deus, que irão para o inferno. É isso.”

No bate-papo ainda, Butler revelou que algumas músicas do novo álbum serão tocadas na vindoura turnê, tais como “Follow the Tears” e “Eating the Cannibals”. A faixa “Time Machine”, do álbum “Dehumanizer”, também poderá ser apresentada ao vivo.

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Gary Cherone fala sobre novo álbum do Extreme e possível box set

O vocalista do EXTREME, Gary Cherone, falou recentemente com o site Blistering.com a respeito da volta do grupo, que lançou ontem seu novo álbum de estúdio, “Saudades de Rock”. Cherone falou sobre o processo de composição do novo trabalho, novo repertório e até o possível lançamento de um box com músicas inéditas. Confira o bate-papo logo a seguir:

Blistering.com — Por que a banda decidiu que agora era o momento certo para reativar o EXTREME?
Gary Cherone — Na verdade, é bem engraçado. Não houve brigas quando o Extreme acabou. Sempre fomos como irmãos, e fãs mútuos dos projetos que realizamos ao longo dos anos. Sempre soubemos que o Extreme estaria junto novamente. Nunca foi uma questão de ‘se’ aconteceria. Era mais uma questão de ‘quando’. E nos últimos anos estávamos nos colidindo com mais freqüência. Fizemos diversos shows entre 2005 e 2006, mas nos últimos três ou quatro anos isso ficou mais assíduo. E foi quando comecei a fica mais em cima do Nuno sobre isso! [risos] Eu lhe disse que se íamos fazer as coisas, então que fizéssemos de uma vez! Simples assim. Ele tinha saído do projeto com o Perry Farrell, o Satellite Party. Para dizer a verdade, até que ele saiu antes do que eu esperava. Então, começamos a gravar no fim de 2007. Mas mesmo antes disso, compusemos bastante coisa. Tínhamos diversas sessões de composição quando ele vinha a Boston ou eu a Los Angeles. Foi sempre esse tipo de relação. Mas o que sempre nos motivou a voltar com o EXTREME foi um trato feito entre mim e o Nuno. Ambos decidimos que há muito tempo que se voltássemos com a banda deveríamos apresentar música nova. E agora era a hora, e até nos surpreendemos com a quantidade de material que compusemos.

Blistering.com — Então, mesmo com vocês se reunindo ao longo dos anos, não esperaram se juntar em um sala para começar a compor?
Cherone — Foi exatamente isso. Bettencourt e eu nos reuníamos para essas pequenas sessões de composição com um violão ou um piano. Mas quando entramos em uma sala de ensaios e ligamos tudo, todas as idéias fluíram. Por toda minha carreira sempre tentei me manter pra cima com a inspiração de Bettencourt. Havia muita música saindo dele, muitas idéias. E acredite ou não, compúnhamos diversas músicas em apenas um dia! Havia uma quantidade enorme de material que saíram dessas sessões. A pior parte na hora de gravar o novo álbum do Extreme foi editar essas faixas, fazer o creme crescer. Tínhamos um bom balanço de baladas e faixas mais rock, e um balanço delas com outras músicas mais ecléticas. Acho que gerenciamos muito bem isso.

Blistering.com — Enquanto os álbuns passados do Extreme tinham sua própria característica, “Saudades de Rock” traz algo diferente para a banda, com suas treze faixas tocando todas as facetas do passado da banda, não acha?
Cherone — Quer saber? Você acertou. Acho que essa é a descrição perfeita. Levou um tempo para chegarmos a esse entendimento, pois estávamos na barriga de uma baleia compondo este material. Tínhamos pessoas de fora que ouviam e diziam: ‘Nossa, ‘Star’ podia ter saído do ‘Pornograffitti’ ou do ‘III Sides To Every Story’. E talvez ‘King Of The Ladies’ tenha aquele espírito engraçado que se encaixaria em nosso primeiro álbum. Ou talvez as faixas mais cruas se encaixem no ‘Waiting For The Punchline’. São esses elementos clássicos que não demoramos a compor. Na verdade, nunca pensamos muito a respeito disso. Apenas compúnhamos o que se encaixava naquela música, todo o material veio bem naturalmente. Mas alguns elementos mais novos se refletiram onde estivemos nos últimos dez anos. Acho que isso mostra as diversas influências que tivemos ao longo desse tempo, que acabaram aparecendo nesse novo material. Músicas como Take Us Alive,’ ‘Learn To Love,’ ou mesmo ‘Sunrise’ são apenas algumas das novas direções para que nos direcionamos. Novamente, acho que isso é uma combinação de músicas e químicas e talvez, interiormente, o nosso novo baterista, Kevin Figueiredo, com sua personalidade. Tenho dito a mim mesmo que fizemos um álbum egoísta. Fizemos um álbum para nós mesmos. E acho que foi algo que nos libertou. Não que nunca tivéssemos feito isso no passado! [risos] A parte mais fácil foi realmente se juntando.

Blistering.com — Como você compara o novo álbum aos trabalhos anteriores?
Cherone — Acho que ‘III Sides To Every Story’ marcou o fim do ciclo de fazer um álbum sair em turnê, algo que rolou constantemente por muitos anos, e depois de toda essa pressão da estrada e coisas assim, entramos direto no estúdio e gravamos ‘Waiting For The Punchline’ com uma cabeça e propostas completamente diferente. Não foi necessariamente uma visão clara, porque simplesmente decidimos detonar com tudo. Mas fizemos isso de forma muito exagerada. Tiramos alguns elementos clássico do som do Extreme, como as harmonias. Acho que acabamos perdendo a perspectiva nas gravações daquele álbum. Ainda o acho um bom trabalho. Acho que alcançamos neste novo CD o que havíamos tentado em ‘Waiting For The Punchline’, e levou treze anos para saber o que queríamos. Não havia pressão da gravadora para conseguir um hit sucessor de ‘More Than Words’ enquanto fazíamos ‘Saudades de Rock’.

Blistering.com — Qual sua opinião a respeito da produção de “Saudades de Rock”, que desta vez ficou a cargo do Nuno?
Cherone — Acho que sua produção trouxe uma das melhores performances da carreira do Extreme. Acho que os vocais em particular estão bem melhores. Não só os meus vocais, mas as harmonias criadas por Bettencourt. Além disso, ele está tocando demais, como sempre. Se você é um fã do Extreme, e não sei quantos deles há por aí, não ficará desapontado com este álbum. Acho que nele há um pedaço de cada um de nossos discos, mais algumas coisas novas.

Blistering.com — O Extreme sempre foi muito elogiado e criticado por seu som eclético e pela relutância em limitarem-se por qualquer gênero em particular. E em sua forma verdadeira, “Saudades de Rock” parece que vai dividir as massas novamente, não?
Cherone — Acho que com todos os álbuns do Extreme sempre haverá surpresas. Colocamos em nosso website a faixa ‘Star’ e recebemos cerca de 80% de opiniões positivas. Mas acho que com todos os álbuns do Extreme, não importa se você lance ‘Rest In Peace’, ‘Warheads’, ‘Decadence Dance’ ou ‘When I First Kissed You’ você pode desorientar as pessoas. Acredito que com este novo álbum, para digeri-lo, as pessoas terão de escutá-lo mais de uma vez para entender onde a banda está hoje em dia. Vou lhe dar um bom exemplo disso. Lembro-me que sempre que quando pegava um novo trabalho do Queen, inicialmente sempre ficava desapontado. Lembro-me quando ouvi ‘The Game’ e que aquilo não era nada mais do que jazz. Não sabia se gostava daquilo ou não. Mas acabei amando! O Queen era o Queen, e eles sempre apresentavam algo novo nos álbuns deles. E acho que nossa filosofia é a mesma. Não me entenda mal, não estou nos comparando ao Queen. Mas acho que sempre tentamos algo novo em cada álbum, como o Queen sempre fez. Acho que o Extreme é uma anomalia. Não nos encaixamos em nenhum gênero. Sempre fomos jogados no campo das bandas tidas como ‘hair bands’, mas acho que isso só rolou porque aparecemos pouco tempo antes de gente como Nirvana e Pearl Jam. Mas acho que os fãs e críticos do Extreme sabem de onde viemos, e é assim que a banda tem se mantido e o que nos separa de nossos contemporâneos.

Blistering.com — Uma faixa em particular que aparece em “Saudades de Rock” é “Interface”, que foi gravada pela banda solo de Nuno, o Dramagods, no álbum “Love”, de 2005. Por que escolhê-la?
Cherone — É uma música brilhante. Essa foi uma das que apareceram em nossas conversas durante as sessões de composição para o álbum. Bettencourt sempre adorou essa música, e acho que quando ele compôs essa música sempre teve em mente que era uma canção bem Extreme. Uma ótima faixa, e uma das minhas favoritas nesse álbum. Ele a mencionou e ninguém se opôs a gravá-la. Acabou se tornando uma das cerejas no topo do nosso bolo. Apenas um pequeno número de pessoas ouviu o trabalho do Dramagods, e agora isso levará a atenção das pessoas a ele, o que é demais. Uma ótima canção é uma ótima canção é não importa quem a compôs.

Blistering.com — Vocês não apenas regravaram essa música do Dramagods como também trouxeram o novo baterista, Kevin Figueiredo, de lá, certo?
Cherone — Muito boa! [risos] Gosto disso. Primeiro e antes de mais nada, Bettencourt e eu sempre falamos a respeito de trazer o Extreme de volta, mas apenas se tivéssemos algo novo a oferecer. Não queríamos de jeito nenhum fazer uma turnê nostálgica. Tocamos aqui e ali, mas eram apenas alguns shows isolados por diversão. Mas jamais cogitamos fazer uma turnê apenas com músicas antigas. A única razão pela qual voltaríamos era compor novas músicas. Mas então Bettencourt encontrou um baterista com quem estava muito feliz. Acho que esse é o sucesso por trás de Bettencourt e do Extreme. Foi uma decisão fácil. Quando decidimos voltar, falamos a respeito de diversos bateristas. Ainda que Paul Geary [N. do T.: baterista original da banda] tenha tocado conosco em alguns dos shows que fizemos, ele agora está aposentado. Michael Mangini [N. do T.: baterista que gravou ‘Waiting For The Punchline’] está num lugar diferente de nós. Acabou não funcionando. Foi quando Bettencour sugeriu Figueiredo. Ele é um fã de Figueiredo, já o vi tocar por anos a fio, assim foi uma decisão fácil colocá-lo na banda. Ele é da Costa Leste e cresceu na mesma área que Pat Badger [baixista do grupo]. Ele é um cara bem normal. E muito fã de John Bonham também! [risos]

Blistering.com — Sendo “Saudades de Rock” um álbum tão diverso, imagino que não haverá apenas uma faixa predileta para todos os quatro membros. Quais vocês pretendem tocar?
Cherone — É engraçado porque agora podemos deixar as brigas de turnê começarem! [risos] Já estamos discutindo pela posição das favoritas de cada um. Dependendo do seu humor, a favorita vai sempre mudar. Uma favorita minha é ‘Learn to Love’. Lembro-me que quando a compus a faríamos como qualquer outra canção. Ninguém pensava em termos de single ou coisas assim, apenas compúnhamos e deixávamos acontecer. Mesmo em se tratando de arranjos fossem longos demais ou épicos, como em ‘Last Hour’. Mas uma que chamava a minha atenção era ‘Learn to Love’. Acho que ela representa algo novo no Extreme. Há uma alma rock ‘n roll no refrão, e uma vibração meio blues e soul no restante. Algumas dizem que deveria ser nossa faixa de trabalho, mas outra das minhas favoritas é ‘Sunrise’. Ele vai bem na veia de ‘Houses Of The Holy’, do Led Zeppelin. Adoro ‘Ghost’ e ‘Interface’ também. Acho que ‘Take Us Alive’ pode ser um clássico do Extreme. Ela é totalmente rock/country. Por alguma estranha razão, acho que tocaremos essa pelo resto de nossas vidas. Cada um tem a sua favorita. Acho que 'Comfortably Dumb' foi feita para ser ao vivo. ‘Star’ e ‘Slide’ também. ‘Peace (Saudade)’ é uma que acredito que deveríamos finalizar o show, com Bettencourt sentado ao piano. Podíamos mesmo fazer um bis com ela.

Blistering.com — Uma que você não mencionou é “King of Ladies”, absolutamente vibrante.
Cherone — Sabe o que é engraçado sobre ela? Todos mencionam essa música como suas favoritas, ainda que eu não diga nada a seu respeito. Quando a escrevemos foi muito divertido. Acho que ela tem um ótimo riff de guitarra e o refrão poderia ser até mesmo do Kiss. E acho que ao vivo os fãs vão adorá-la. Essa faixa tem algo dos nossos primeiros álbuns. Uma vibração bem divertida.

Blistering.com — Uma de suas performances mais marcantes em “Saudades de Rock” é mesmo em “Learn to Love”, em que claramente você canta em tons altíssimos. Será difícil reproduzir isso ao vivo nessa turnê?

Cherone — Se minha voz estiver uma merda em alguma noite, vamos tirá-la do repertório. Para lhe dizer a verdade, nessa turnê essa é uma das músicas que quero cantar. E também será um dos meus maiores desafios. Mesmo quando a compusemos, pensei que era melhor dar o meu melhor no estúdio ao cantá-la. E mesmo depois de gravar, imaginei que seria difícil de cantá-la ao vivo. Na verdade, ela me lembra o material que gravei com o Van Halen. Mas, de qualquer forma, acho que ela é uma de nossas melhores performances no álbum. Mas acho que teremos que escolher a dedo as noites que poderemos fazê-la. Essa é uma das que tenho que tomar cuidado e escolher as noites certas em que poderei cantá-la sem problemas.

Blistering.com — É sabido que vocês possuem muito material não lançado e diversos lados B de singles. Esse material verá a luz do dia?
Cherone — Absolutamente! Quando estávamos juntando material para funcionar com lados B de singles e faixas-bônus para ‘Saudades de Rock’, procuramos muito material inédito que temos. Isso é algo que sempre quis fazer, compilar tudo em um único pacote. Quem sabe um box com um disco de bônus. Literalmente, há umas quinze ou vinte faixas que nunca lançamos. Essas músicas estão em diferentes estágios de produção. Há um material bem do nosso início, e um fã do Extreme perceberá como nos desenvolvemos ao longo dos anos. Algumas dessas faixas já apareceram no primeiro álbum. Então, todas elas viriam em um box e, com muita sorte, em um futuro não muito distante de acordo com nossos planos.

terça-feira, 24 de junho de 2008

Skunkworks segundo Jack Endino, doze anos depois

Quando Bruce Dickinson lançou o álbum Skunkworks, uma parcela de fãs não compreendeu muito bem o conceito da obra, digamos assim. Alguns aceitaram. O tempo passou e o cantor acabou voltando a fazer aquilo que faz melhor: heavy metal.

Em meados de 1996, quando Skunkworks foi lançado, o cenário rock era dominado pelas ditas bandas alternativas. O heavy metal então passava por um momento de, digamos, baixa. Ciente de que o cenário não era mais o mesmo de outrora, Dickinson resolveu mudar tudo em sua carreira: banda nova, produtor novo, visual novo.

O cantor escalou Jack Endino para a produção do CD. A banda foi a mesma que o acompanhou na turnê de Balls To Picasso, entre 1994 e 1995. Para a capa do álbum, veio Storm Thorgerson, conhecido por suas artes gráficas junto ao Pink Floyd.

Endino é mais conhecido por seus trabalhos em bandas como Soundgarden, Therapy?, L7, Mudhoney e o Nirvana — reza a lenda que ele produziu Nevermind pela bagatela de 500 dólares — além de ser um dos responsáveis pela gravadora Sub Pop, que desvelou muitos nomes famosos da cena grunge estadunidense ao mundo todo.

Nesse bate-papo a seguir, conduzido em julho de 2004 por Eric Hutchinson, Endino explica como foram as sessões de gravação com Bruce Dickinson, o relacionamento com os outros músicos do grupo entre diversas outras curiosidades. Confira o bate-papo na íntegra logo a seguir:

Eric Hutchinson — Como você se envolveu com Bruce Dickinson?
Jack Endino — Trabalhei com uma banda irlandesa chamada Kerbdog que tinha como empresários o pessoal da Sanctuary. Bruce gostou do trabalho deles e então me ligou.

Hutchinson — Como foram as conversas iniciais a respeito de como eles queriam soar e tudo mais?
Endino — Bruce queria ficar longe do som do Maiden. Ele é muito fá de bandas modernas de rock e ainda mantém seu ouvido atento. Ele sabia muito sobre outras bandas com quem eu havia trabalhado, exceto o Kerbdog. E ele me disse que queria um disco com uma sonoridade mais moderna, mas ainda assim bem pesado. Eu lhe disse: ‘posso fazer isso’. Soou como um grande desafio para mim.

Hutchinson — Você conhecia ou chegou a seguir a carreira de Bruce antes de gravar o Skunkworks?
Endino — Não, entretanto minha mulher chegou a me dar uma cópia de Tattoed Millionaire. Mas eu era um fã das antigas do Iron Maiden, porém perdi o contato com eles após o Piece of Mind.

Hutchinson — Como foi trabalhar com Bruce e o restante da banda?
Endino — Eles eram muito profissionais, havia muito trabalho a ser feito, mas também foi muito divertido. Eles ainda estavam compondo músicas quando comecei a trabalhar com eles, e chegaram a me convidar para lhes dar algumas opiniões. Estava muito a fim de cooperar nos arranjos das canções, algo que é um dos meus pontos fortes, mas não cheguei a contribuir em quaisquer idéias musicais ou líricas. Na verdade, vi essa nova banda tomar vida bem diante dos meus olhos.

Hutchinson — Havia desentendimentos entre Bruce e o restante da banda? Se havia, como eles eram e como você ajudou a resolvê-los?
Endino — Todos se davam muito bem. As diferenças eram artísticas. Os caras da banda tinham uma idéia de que não queria ser um tipo de banda convencional de metal, mesmo fazendo parte de um grupo com Bruce Dickinson! Bruce tinha umas idéias a seu respeito que, com algo mais aqui e ali, eram bem na veia Black Sabbath, o que não me incomodava mesmo. Mas os outros caras da banda queriam seguir outra direção, algo mais moderno no rock pesado. Mas tive que guiar o caminho de algum modo. Bruce estava interessado em estar numa banda, não em ser um ditador, eu também não penso assim.

Hutchinson — Em sua opinião, quais as melhores músicas do álbum?
Endino — ‘Strange Death In Paradise’, é claro. ‘Meltdown’ também, porque nessa faixa usamos o kit de bateria do álbum Back in Black [N. do . T.: clássico do AC/DC] e Nicko [McBrain, baterista do Maiden] ficou com ele mais tarde. ‘Space Race’ também é ótima, embora eu não goste muito da mixagem dela. Também ‘God’s Not Coming Back’: em um certo ponto, estava ficando chateado porque a banda, não Bruce, estava se recusando a tocar algo tão básico. Então, eu os desafiei a compor uma faixa rápida com apenas três acordes e uma guitarra solo. Eles fizeram. Não a levaram muito a sério, mas é uma das minhas favoritas de todas as sessões deste álbum. Bruce disse que faríamos uma canção sacrilégio de Natal, combinando aquela loucura toda. É só ver as letras. Acho que essa música se tornou um B-side. Há outras que eu poderia mencionar, e na verdade não há nenhuma canção ruim lá, mas no momento não me lembro de outras.

Hutchinson — Que histórias do estúdio você se lembra? Favoritas e menos favoritas.
Endino — Favorita? Bruce me trazendo sua coleção completa de ‘O Fugitivo’ para assistirmos enquanto estávamos no Great Linford Manor, um ótimo lugar para estúdio, a propósito. As memórias menos favoritas me remetem ao processo de mixagem e quando fiquei terrivelmente gripado. As primeiras mixagens foram ótimas, mas foram ficando piores e piores com minha cabeça e meu peito doendo muito. Fui para casa e Bruce acabou me deixando voltar e tentar mixar tudo novamente, pois ele viu que as mixagens ficaram de ótimas para ruins, mesmo enquanto dei o meu melhor. Às vezes você apenas tem essa má sorte. Voltei lá e corrigi tudo.

Hutchinson — Você acreditava que a formação deste álbum ainda duraria após o lançamento de Skunkworks? Houve alguma conversa a respeito de um segundo trabalho com você?
Endino — Não houve conversas nesse sentido, mas Bruce imaginava que esta era sua nova banda e seu novo som, e ele estava disposto a levá-la a sério, desde que os fãs a aceitassem. Mas eu sabia, logo que terminei o álbum, que a banda não duraria muito. Por que? Bem, eu tive que lidar com essas ‘diferenças criativas’ entre o restante da banda e Bruce, provavelmente até mais do que Bruce soubesse. Pude ver que os caras não tinham o coração na banda. Por isso o álbum foi tão difícil de se fazer. Boas canções, boas interpretações, um ótimo cantor, uma ótima gravação, ótimas condições. Mas a banda não era mesmo uma banda no sentido orgânico da coisa, eram caras escolhidos. Mas tentei fazê-los tocar e soar como uma a banda, esse foi o truque.

Hutchinson — Quanto de permissão criativa você teve nas gravações?
Endino — Bastante, mas foram mais idéias acerca dos arranjos (estrutura das músicas, fazer com que as coisas continuassem se movendo), e uma certa crítica lírica. Estabelecemos uma regra para Bruce: sem dragões, rodas ou monstros. ‘Nada que Dio cantasse’, entende? Ele levou isso a sério, e fomos nessa direção. Isso o forçou a tomar novas idéias líricas. De fato, eu acho que o forcei a tomar diversas idéias que ele nunca havia tomado em um álbum, estilisticamente falando. Nosso plano era não soar parecido com ninguém, e estando na história do rock pesado como estive, poderia soar o alarme para qualquer um caso estivessem soando um tanto clichê, fosse com os riffs ou com as letras. A coisa toda foi um grande experimento para Bruce, e ele estava se divertindo com isso.

Hutchinson — Bruce mencionou que, numa conversa, você havia lhe dito que gravar este álbum foi como costurar um Frankenstein devido às disparidades musicais entre todos os músicos envolvidos. Explique-nos como foi trabalhar com eles.
Endino — Frustrante algumas vezes. Mantê-los focados em um mesmo objetivo era difícil. Porém, ao mesmo tempo formavam uma banda talentosa, todos eles. Todos grandes músicos, grandes influências, cada um deles era uma biblioteca virtual de rock. Todos tinham sua admiração por Deep Purple, por exemplo, mas também pelo Spinal Tap. Mas Bruce levava seu lado rock pesado muito a sério — afinal, foi isso que o tornou um homem rico —, mas parecia que os outros caras não. Na verdade, eles não levavam quase nada a sério, como você mesmo pode ver pelo brilhante Sack Trick (N. do T.: banda liderada pelo baixista Chris Dale e pelo guitarrista Alex Dickson assim que o projeto Skunkworks se desfez), cujas músicas eles já vinham compondo enquanto fazíamos o Skunkworks. Sei o quão ridículo o rock pesado pode ser se for levado ao pé da letra, mas sei também que você tem que levar as coisas a sério para fazer tudo funcionar. Deixar de lado toda a sua incredulidade para fazer as coisas funcionarem. Não peguei a idéia do ‘estamos juntos nessa, um por todo todos por um’, mesmo depois de dois meses com a banda, por isso percebi que provavelmente eles não durariam muito, embora não pudesse dizer isso ao Bruce, seria como ficar adivinhando as coisas, e não sou do tipo que adivinha o futuro. Eu podia estar errado, e sinceramente esperava estar. Mas alguns anos depois, quando tudo já tinha acabado, encontrei com Bruce em Los Angeles e foi quando lhe disse isso sobre o Frankenstein, quando tive mais tempo para refletir sobre toda aquela experiência. Ele me entendeu exatamente, ele até brincou dizendo que pelo menos o monstro abriu os olhos dele, pois foi exatamente assim que me senti fazendo aquele álbum. Algo como ‘não acredito que estou fazendo este disco, mas ele está funcionando’. Um álbum completamente louco. Apenas me concentrei em fazer o melhor possível, fazendo com que todos tocassem pra valer. Acho que fizemos um ótimo álbum. Foi exatamente o trabalho que Bruce queria levar a cabo. Ao invés de ser um álbum solo, soa como uma banda, com uma identidade muito forte de cada um deles. Com toda certeza não soa como Iron Maiden ou qualquer um assim. O que também não ajudou foi a gravadora (N. do T.: Castle Records) que estava passando por sérias dificuldade assim que o álbum foi lançado. Não conheço uma pessoa sequer em Seattle que ouviu falar deste álbum. E também acho que a arte da capa não era forte o suficiente.

Hutchinson — Você ainda mantém contato com algum deles?
Endino — Sim. Estou na lista de e-mail do Sack Trick e esperando ansiosamente pelo álbum tributo ao Kiss que eles vão lançar.

Hutchinson — Por que Oggi Skinner levou os créditos da produção nos singles e lados B ao invés de você?
Endino — Eu produzi algumas daquelas faixas. Umas três ou quatro foi eu quem fiz, incluindo ‘God’s Not Coming Back’, ‘Rescue Day’ e ‘Armchair Hero’. Se alguma canção soa como Skunkworks, então eu a fiz. Eles fizeram algumas sessões de lados B entre algumas das minhas viagens para o Reino Unido com Oggi, que era o engenheiro do Mayfair Studios. Acho que de lá saiu ‘I’m Band With An Italian Drummer’ e mais outras duas. Aliás, ‘I’m Band With An Italian Drummer’ foi a primeira composição do Sack Trick com os caras revelando a sua vindoura direção! Acho que remixei algumas delas mais tarde, não me lembro bem.

Hutchinson — Olhando hoje para aquele álbum, o que você mudaria nele?
Endino — Hmmm, gostaria que tivéssemos conhecimento total em Pro-Tools, que eu soubesse usá-lo como sei hoje. Isso nos pouparia muito tempo. Por outro lado, não soaria como soa, ou seja, 100% analógico.

Hutchinson — Qual sua opinião nos álbuns pós-Skunkworks e Maiden que Bruce lançou?
Endino — Depois do Skunkworks, que não deveria soar em nada com o Maiden, seus álbuns solo posteriores ficaram exatamente como o grupo, até melhor eu diria! O Maiden, naquela época, não estava muito legal. Chemical Wedding me pareceu um bom disco, foi quando ele voltou a fazer um som estilo Maiden e, logo em seguida, voltou ao próprio Maiden. Acho que fizemos um único disco que caiu fora do esquema do Maiden.

Vídeos: Back From The Edge
Inertia (live)
Faith (live)
Dreamstate (live)
Meltdown (live)

Agradecimentos: The Bruce Dickinson Well Being Network
Bruce Dickinson and then some page

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Extreme: data de lançamento e capa de novo álbum


“Saudades de Rock”, novo álbum do Extreme após 13 anos separados, será lançado no dia 12 de agosto. Ao lado, a capa do novo CD do grupo.

O novo trabalho foi gravado no NRG Studios, em Los Angeles, com o guitarrista Nuno Betencourt responsável pela produção e mixagem. O álbum trará 13 faixas inéditas, entre elas a barulhenta “Star”, a cheia de swing “King”, a crua e repleta de funk “Learn To Love” e a balada “Ghost”.

Bettencourt explica o porquê do inusitado título do CD em Português. “’Saudades’ sempre foi uma palavra bonita para mim”, afirma. “Expressa um longo e triste tempo para alguém ou alguma coisa que falta na sua vida, e você nunca tem certeza se isso voltará. E nesse caso, para nós, é o rock ‘n roll. Por isso, ‘Saudades de Rock’”, reiterou.

O vocalista Gary Cherone complementa o sentimento da banda com relação a este novo álbum. “Gosto do modo como isso expressa o quanto esperamos para tocar para nossos fãs e nos reunirmos novamente”, diz.

A turnê mundial do grupo, intitulada “Take Us Alive”, tem início no dia 29 de julho no The Chance, em Poughkeepsie, em Nova Iorque. Antes, porém, o grupo faz um show de aquecimento para o giro mundial, que rola em 11 de julho, Rocklahoma Festival.

As faixas que compreendem “Saudades de Rock” são:
1. Star
2. Comfortably Dumb
3. Learn To Love
4. Take Us Alive
5. Run
6. Last Hour
7. Flower Man
8. King Of The Ladies
9. Ghost
10. Slide
11. Interface
12. Sunrise
13. Peace (Saudade)

Confira, logo abaixo, a primeira foto promocional com a atual formação do Extreme:

quarta-feira, 30 de abril de 2008

Extreme dando os toques finais em novo álbum

De acordo com o vocalista do EXTREME, Gary Cherone, o novo álbum do grupo está em sua fase final de produção.

“O novo trabalho está pronto, resta apenas o vocal de uma faixa. Nuno [Bettencourt, guitarrista, na foto ao lado, em estúdio gravando o novo álbum] está extrapolando seu tempo finalizando as mixagens. Essas serão as melhores performances da banda. Vocês ouvirão tudo que esperam do EXTREME e tudo que também não esperam”, afirmou o cantor.

O lançamento do álbum, segundo a revista britânica Classic Rock, deve acontecer na primeira quinzena de junho. “O lançamento depende da gravadora e do que for melhor para a banda. Estamos trabalhando com um lançamento norte-americano previsto para meio ou final do verão. Europa, Japão e o restante do mundo em seguida”, reiterou Cherone.

A imprensa lusitana informou há algumas semanas que o provável título do novo álbum do EXTREME será “Saudades de Rock”. A banda, por outro lado, não confirma.

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Mais novidades a respeito do novo álbum do Extreme

O guitarrista do EXTREME, Nuno Bettencourt, postou um longo comunicado em que deu mais detalhes a respeito do álbum que marca a volta ao grupo de Boston. Este será o primeiro trabalho de inéditas da banda após 13 anos separados.

“Estamos agora finalizando as gravações do novo álbum que, a propósito, está demais. Nos divertimos muito durante as jams e o processo de composição. Acabamos compondo 24 faixas, mas vamos ficar com umas 14, que entrarão de fato no CD”, disse o guitarrista.

Ao contrário dos boatos, a volta do EXTREME parece ser duradoura, já que a banda pretende permanecer um bom tempo na estrada promovendo o vindouro trabalho. “Vamos ficar em turnê por pelo menos um ou dois anos, já que temos muito para mostrar a vocês, garotos e garotas. E mal podemos esperar!”, declarou Bettencourt.

O EXTREME volta com sua formação original, com exceção do baterista Paul Geary — que continuará como empresário da banda. O novo baterista será Kevin Figueiredo, que trabalhou com Bettencourt em seus projetos solo (DRAMAGODS e POPULATION 1). “Eu poderia dizer muito a respeito de Figg e o quanto ele trouxe em termos de intensidade para o som desta banda em 2008. Mas nas palavras de Joe Perry: ‘vamos deixar a música falar por si só’”, reiterou o guitarrista.

Em outras novidades, o produtor Bob St. John revelou alguns detalhes do processo de gravação do novo álbum do EXTREME. “Começamos as gravações em outubro de 2007, em Los Angeles. Este novo álbum traz mais atitude e ‘punch’ do que qualquer outro álbum do EXTREME”, afirmou St. John. “Passamos 17 dias gravando as faixas básicas ao vivo (guitarra, baixo, bateria, tudo ao vivo), além de alguns vocais”, acrescentou.

Acerca do novo baterista e da performance individual de cada músico no CD, St. John disse o seguinte: “Kevin ‘Figg’ é um baterista maravilhoso. Definitivamente facilitou muito o meu trabalho, com uma grande vibração e um grande som. E Nuno, é claro, que está tocando mais ferozmente do que nunca”, assegurou.

O EXTREME apresentou-se na sexta feira, 18 de janeiro, na NAMM (National Association of Music Merchants), em um show privado. A nova formação do grupo, porém, estreou no dia 1º de dezembro, durante o Boston Music Awards, e tocou um pequeno set-list com três músicas: “Slide” (inédita), “Decadence Dance" e "Communication Breakdown” (cover do LED ZEPELLIN).

Confira, logo a seguir, o grupo tocando a faixa "Play With Me" no show que aconteceu na NAMM.

Metallica: novo álbum só em setembro

O site Stereo Warning revelou hoje que o novo álbum do Metallica teria sido adiado para setembro, de acordo com fontes da própria gravadora do conjunto. O nono álbum de estúdio do Metallica, segundo o baterista do grupo, Lars Ulrich, chegaria às lojas em fevereiro. Logo depois, o músico disse que o lançamento do CD fora modificado para abril.

Em recente entrevista à revista Revolver, Ulrich falou mais a respeito do vindouro trabalho, o primeiro lançamento de inéditas desde “St. Anger”, de 2003. “É um material certamente mais dinâmico e muito mais variado do que nossos últimos lançamentos”, afirmou o baterista. “Há muita luz e sombreado nessas músicas. Há peso, velocidade, além de muitas mudanças de tempo e intervalos musicais”. Ulrich disse ainda que este novo álbum tem muito mais a ver com os lançamentos dos anos 80 do Metallicado que “Load” e “St. Anger”.

Por outro lado, Ulrich apressa-se em afirmar que o vindouro trabalho, ainda sem título, não é um retorno às origens da banda. “Detesto ser específico, porque daqui a seis meses as pessoas vão ficar mais ou menos assim: ‘Mas que merda! Lars mentiu para nós!’. Mas é mais ou menos como me sinto”.
Por fim, o baterista revelou que o produtor Rick Rubin — que trabalha com a banda pela primeira vez, a propósito —, queria que o Metallicautilizasse trabalhos clássicos como “Ride The Lightning” e “Master of Puppets” como pontos de referência para as novas canções.

Em tempo: a última vez que o Metallica passou meses a fio em um estúdio aconteceu durante as gravações do “Black Álbum”... será que algo similar está a caminho?